
Como montar um perfil que as famílias leem até o fim
Um perfil que diz "sou carinhosa e responsável" some no meio dos outros. O artigo mostra como trocar adjetivo por exemplo concreto, responder já nas primeiras linhas às perguntas que a família faz em silêncio (idades, rotina, bairro, o que está incluído, formação) e descrever o próprio jeito de trabalhar. Também trata da foto, dos erros que fazem a família fechar o perfil, do que deixar para a conversa e da importância de manter o perfil atualizado e responder rápido.
O que contar sobre a sua experiência, e o que deixar para a conversa.
Uma mãe abre o app às onze da noite e passa por vinte perfis em dez minutos. A maioria diz mais ou menos a mesma coisa: gosto muito de crianças, sou responsável, tenho experiência. Ela não lembra de nenhum depois.
O perfil que ela guarda costuma ser o que responde às perguntas que ela já estava fazendo na cabeça.
Comece pelo que você faz, não pelo que você é
"Sou carinhosa e responsável" é o que todo mundo escreve. Ninguém escreve o contrário.
Adjetivo não se comprova. Exemplo, sim. Em vez de dizer que é paciente, conte o que você faz: que acompanha lição de casa de criança em alfabetização, que já cuidou de irmãos de idades diferentes no mesmo turno, que tem prática com rotina de bebê que ainda mama de três em três horas.
Quem lê tira a conclusão sozinha. E confia mais na conclusão que tirou do que na que você entregou pronta.
As perguntas que a família faz em silêncio
Enquanto lê seu perfil, a mãe ou o pai está tentando responder a algumas coisas. Se elas estiverem lá, o perfil funciona.
Com que idade ela tem prática? Bebê, criança pequena, idade escolar. É bem diferente cuidar de um bebê de quatro meses e de um menino de sete anos, e as famílias sabem disso.
Ela dá conta da minha rotina? Manhã, tarde, noite, fim de semana, diária, viagem. Diga o que você aceita e o que não aceita.
Ela mora perto? Bairro e região dão a dimensão do deslocamento.
O que exatamente ela faz? Preparar a comida da criança, dar banho, levar na escola, acompanhar terapia, cuidar da roupa da criança. Deixe claro também o que não está incluído, como faxina pesada.
Ela tem alguma formação? Curso de primeiros socorros, técnico em enfermagem, pedagogia, curso de desenvolvimento infantil, experiência com autismo ou com criança com deficiência. Isso pesa muito, principalmente em famílias que precisam de um cuidado específico.
Escreva o começo pensando em quem vai ler no ônibus
As primeiras duas ou três linhas decidem se a pessoa continua.
Um bom começo diz quem você é profissionalmente, com quem trabalha e onde. Algo como: "Babá há oito anos, com prática em bebês de zero a dois anos. Atendo região da Zona Leste de São Paulo, de segunda a sexta, em período integral."
Tudo que a família precisa saber para decidir se continua lendo está ali. Depois disso você pode se alongar contando como é o seu trabalho.
Conte como você trabalha
Essa é a parte que quase ninguém escreve, e é a que mais diferencia um perfil.
Descreva o seu jeito em poucas linhas. Como você faz uma criança dormir, o que você propõe nas horas acordadas, como você lida com birra, se gosta de brincar no chão, se lê antes de dormir, se costuma levar no parque.
Duas ou três frases bastam. "Trabalho bem com rotina: sono, comida e banho em horários parecidos todo dia. Nas horas acordadas prefiro brincadeira no chão, livro e parque a tela."
Uma família que se identifica com esse jeito vai te procurar. Uma que prefere outra coisa não vai, e isso poupa o tempo das duas.
Sobre a foto

Foto de perfil funciona melhor quando mostra seu rosto com clareza, em luz boa, olhando para a câmera. Sozinha, com fundo simples.
Evite foto com criança de outra família. Aquelas crianças têm pais que não autorizaram, e isso costuma pegar mal justamente com quem você quer impressionar.
Erros que fazem a família fechar o perfil
- Texto todo em maiúsculas ou sem nenhuma pontuação
- "Aceito qualquer trabalho" sem nenhum detalhe, que deixa a família sem saber se você serve para ela
- Perfil com três linhas soltas e nada concreto
- Reclamar de famílias anteriores ou explicar por que saiu de cada emprego
- Preço, telefone ou endereço no texto, já que valores se combinam na conversa e dado pessoal é melhor guardar
O que deixar para a conversa
Perfil não precisa contar tudo. Ele serve para a família decidir se quer falar com você.
Deixe para a conversa o valor da diária ou do mês, os detalhes de horário que dependem da rotina da casa, o que você já faz de fato e o que faria mediante combinado, e sua situação pessoal. Também é na conversa que você faz as suas perguntas, que são tão importantes quanto as respostas que você deu.
Mantenha o perfil vivo
Atualize quando algo mudar. Curso novo, mudança de bairro, disponibilidade diferente depois que seu filho entrou na escola.
Avaliação também conta. Ao terminar um trabalho, vale pedir para a família avaliar você, do mesmo jeito que você avalia ela. Quem lê seu perfil daqui a seis meses vai ver o que outras famílias disseram, e isso pesa mais do que qualquer texto que você escreva sobre si mesma.
E responda rápido quando alguém chamar. Uma mãe procurando babá para segunda-feira não espera até quarta.
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